Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Terras de Sicó desenvolve acção inserida no espaço regional Românico

 

Ansião

Terras de Sicó desenvolve acção inserida no espaço regional Românico, através de projecto aprovado pelo "Mais Centro"
O «Mais Centro» - Programa Operacional Regional do Centro 2007-2013 - aprovou uma candidatura da Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento ao PROVERE - Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos - no sentido de estimular iniciativas dos agentes económicos orientadas para a melhoria da competitividade territorial de áreas de baixa densidade, que visam dar valor económico a recursos endógenos e tendencialmente inimitáveis dos territórios. 
 

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Património do Sicó é mote da feira há 20 anos

Escrito por Benedita Oliveira   
08-Mai-2008

O que de melhor e mais genuíno se faz no território “Terras de Sicó” (que abrange os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure) vai estar em destaque este fim-de-semana em Santiago da Guarda, freguesia escolhida pelo município de Ansião para acolher a simbólica 20.ª edição da Feira do Queijo Rabaçal/ EXPOSICÓ. 

Trata-se de um evento “que tem uma importância decisiva na promoção do nosso mundo rural e dos produtos que temos tentado preservar”, comentou Fernando Marques, que neste momento acumula a presidência da Câmara com a da direcção da associação de desenvolvimento Terras de Sicó, cuja presidência é rotativa. 

“Este ano coube a vez ao concelho de Ansião organizar o certame, sendo que a escolha recaiu sobre Santiago da Guarda por dois motivos: por estar no miolo da produção do Queijo do Rabaçal (ou seja, em pleno maciço do Sicó) e porque queremos aliar isto à rota da romanização que se estende até Conímbriga”, justificou o autarca.

Rica em diversidade e forte em tradições, a mostra deste ano reúne várias dezenas de produtores desde o famoso Queijo do Rabaçal, passando pelo azeite, vinhos, mel, frutos secos, ervas aromáticas, até ao cabrito e borrego. 

“É à volta do nosso património e dos nossos produtos endógenos que decorre mais uma Exposicó que este ano faz o 20.º aniversário. Fomos pioneiros neste tipo de eventos”, sintetizou Fernando Marques, reconhecendo que a feira, embora de pequenas dimensões, é um importante cartão de visita do território, mas também dos agentes económicos da região.

 

 

Fumeiros do Henrique apresenta marca “Sabores do Sicó”

 

A empresa de enchidos caseiros Fumeiros do Henrique vai apresentar no certame uma nova linha de produtos. “Sabores do Sicó”, que resulta de uma parceria com a Terras de Sicó, é, contou o responsável, “uma gama de produtos certificados produzidos segundo critérios de qualidade específicos”. De acordo com Luís Marques, a mais recente proposta da empresa de Maçãs D. Maria está no mercado desde o passado mês de Fevereiro, estando à venda nomeadamente nos escaparetes do supermercado do El Corte Inglés.

“É uma gama de produtos de qualidade superior, como é evidente”, afirmou o empresário, acrescentando que os fumeiros com a marca “Sabores do Sicó” estão especialmente vocacionados para as lojas gourmet. Destinam-se, frisou, “a consumidores que gostam de bons produtos e que querem produtos com o sabor tradicional”.

Em negociações com diversos grupos económicos, a Fumeiros do Henrique estima começar a produzir em breve para as marcas, designadas de gourmet e/ou seleccionadas, de diversas grandes superfícies.

 

Exposicó é uma verdadeira festa de saberes e de sabores

 

ImageOs saberes e sabores das Terras de Sicó estão em destaque este fim-de-semana em Santiago da Guarda, Ansião. A XX Feira do Queijo Rabaçal – EXPOSICÓ promete variedade e qualidade nos mais variados produtos gastronómicos, embora o “prato forte” do certame seja o queijo, o vinho e o azeite. 


 

A Exposicó realiza-se este ano em Santiago da Guarda. Em que espaço decorre e com quantos expositores conta esta edição?

Decorrerá no espaço abrangente à Residência Senhorial dos Condes de Castelo Melhor, um espaço que permite, além da visita ao certame, poder desfrutar a quem nos visita de uma oferta turística única na Península Ibérica: uma villa tardo-romana do século IV/V e o próprio edifício da Residência Senhorial, datado do Séc. XVI. Na tradição do certame teremos um espaço para os expositores do Queijo Rabaçal – DOP, produto que deu nome ao evento. Mas, na evolução do certame a outros produtos, resultado activo deste trabalho de anos da Terras de Sicó e das organizações de produtores, teremos também representação de produtores do «vinho Terras de Sicó», «azeite Terras de Sicó», «mel Serra de Sicó», frutos secos, ervas aromáticas e medicinais, enchidos e fumados e variado artesanato da sub-região com expressão mais forte no sector da cestaria de vime. Feitas as contas, contamos com a presença de cerca de 50 expositores na oferta de um fim-de-semana diferente. Neste contexto, não posso deixar de realçar o espectáculo da Vivarte, no sábado à noite, com a encenação de um cortejo romano, atractivo ímpar no nosso “produto turístico”, associado à dinamização do nosso património cultural.

 

O certame promove o que a região tem de melhor há 20 anos. Quais são as expectativas para este ano?

Diria que a expectativa é manter aquela que há 20 anos juntou os autarcas de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure numa solidariedade activa intermunicipal em torno da sub-região das Terras de Sicó, no sentido de valorizar e promover os nossos produtos endógenos, numa perspectiva de defesa dos nossos produtores e do Mundo Rural. Hoje, garantida a certificação de alguns produtos, apoiado o associativismo na fileira «agro», podemos expectar novos passos, sobretudo no que concerne às dinâmicas e modelos de comercialização. Depois e porque comemoramos este ano 20 anos, queremos também ver das entidades públicas o reconhecimento deste trabalho, nomeadamente garantindo para o território, centrada na Associação de Desenvolvimento, a gestão do novo programa LEADER, inserido no PRODER.

 

 

A "jóia da coroa" continua a ser a Feira do Queijo Rabaçal, produto que já tem uma posição consolidada no mercado. Este é mais um exemplo de que a afirmação de um produto produzido no mundo rural depende, em grande medida, da união e concertação de vários agentes.

 

 

 

Quem anda como nós há 20 anos nesta tarefa do desenvolvimento rural, movimentando esforços nestes territórios de pequenas economias do chamado «terceiro sector», entende que sem a união de vontades, individuais e institucionais, técnicas e políticas, o caminho dificilmente seria percorrido. Começámos com o queijo Rabaçal, inspirados pela “Cidade e as Serras” do Eça, mas rapidamente percebemos que a «mesa das Terras de Sicó» tinha outros produtos para oferecer, felizmente hoje uma verdadeira federação de saberes e de sabores. Fazer das supostas fragilidades, novas oportunidades, tem sido a bandeira que nos une, lembrando que os seis Municípios associados, primeiro na ADSICÓ – Associação de Municípios e agora na Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento, a par de outros parceiros que ao movimento fomos somando, têm tido um papel fundamental na interpretação técnica e política da sub-região enquanto território solidário, diluindo internas fronteiras a favor do bem comum.

 

 

 

Quais são os principais desafios com que se debate actualmente a região de Sicó e que estratégias se impõem para potenciar a promoção deste território?

 

 

 

Os novos desafios que temos pela frente enquadram-se temporalmente num novo ciclo político do país, nacional e autárquico e no desafio emergente que é a aplicação no território do QREN, tentando competir no quadro regional do país e, no europeu, com o alargamento da União Europeia aos países de leste. Tradicionalmente, o território Terras de Sicó tem sido política e administrativamente um território ingrato para trabalhar: pertencemos a dois Distritos, Coimbra e Leiria; a quatro NUT’s III, entre outras divisões a critério ministerial; e, porque quase toda a desconcentração política, técnica e financeira da Administração Central se integra nestas realidades, torna a tarefa do desenvolvimento rural difícil, mas um desafio que dá luta e que nos estimula a continuar. Os mesmos recursos financeiros estarão disponíveis para mais gentes, mais territórios, pelo que temos que reordenar o modelo e a estratégia no sentido de saber dar uma resposta célere e eficaz às novas exigências. Alargar a actividade da TERRAS DE SICÓ a outras áreas de trabalho, construir espacialmente no território uma rede de parcerias, projectar novos desafios, ultrapassar fronteiras no caminho da cooperação identificando novos projectos, são, mais do que um imperativo que queremos ver possível, uma prospectiva para a salvaguarda da capacidade política, técnica e financeira desta associação de desenvolvimento e da sub-região. Quando há pouco me referi ao novo programa LEADER inserido no PRODER, é reconhecer que esse é o único instrumento que temos que identifica pelo passado a sub-região, assente na sua origem de iniciativa comunitária, por isso acreditamos que o vamos conseguir porque pelo trabalho realizado o merecemos. A título de exemplo, posso informar que a Terras de Sicó acabou de constituir uma empresa denominada SICOGEST, em parceria com o Crédito Agrícola da sub-região, colocando no terreno um novo instrumento técnico e financeiro para dar novas respostas aos novos desafios. A concentração técnica e política dos Municípios e outros parceiros de representatividade sectorial na Terras de Sicó, somada à experiência do Crédito Agrícola nos territórios rurais, sobretudo nessa sua sabedoria de aplicação de produtos financeiros às economias rurais, poderá ser uma aposta com bons resultados no curto prazo.

 

 

 

Quais são os objectivos da recém-constituída SICÓGEST?

 

 

 

A SICOGEST assenta num modelo de «benchmarking» a partir da cooperação com o grupo Leader West Cork, Irlanda, que desenvolvemos nos últimos dois anos. Basicamente trata-se de qualificar o território para a sua valorização e promoção, independentemente das certificações legais europeias. Entendemos poder actuar de forma transversal em vários sectores previamente definidos, consolidando uma «marca territorial». Nesse sentido, a SICOGEST apresentou internamente um Plano de Negócios, que deverá centrar a sua acção em 4 grandes áreas:

 

1 – Gestão da Marca Sicó - Implementar um conceito de Marca «SICÓ», certificação informal com um rigoroso caderno de especificações e um Conselho Regulador, representativo dos vários sectores. Será um conceito transversal, abrangendo desde os agro-negócios ao alojamento, restauração, artesanato, entre outros, tendo como objectivo incentivar a marca como meio de comunicação e promoção do território, garantindo qualidade e especificidade.

2 – Agro Negócio - A SICOGEST funcionará como intermediário entra a produção e a comercialização, assumindo um papel de defesa e garante da qualidade e origem dos produtores e produtos de Sicó. A compra, venda e exportação de produtos com a marca «SICÓ» e a exploração de lojas e fabrico de produtos «SICÓ» é um objectivo, sobretudo a criação de um rede de venda denominada « lojas SICÓ GOURMET”, a implementar em locais estratégicos na oferta aos fluxos turísticos, onde o sítio arqueológico de Conimbriga e todo o eixo da romanização serão espaços a ter em conta.

3 – Gestão e Promoção do Território – Neste vector, a SICOGEST assumirá juridicamente um alvará de “empresa de animação turística” para a exploração da GR26, bem como a dinamização e organização de passeios pedestres, provas de BTT, etc, lançando nesta também nesta vertente projectos de formação na área da oferta turística e imaginação e comercialização de pacotes turísticos em parceria com outros operadores turísticos, agências de viagens e gestores do património, alojamento e restauração. A vertente do “comércio da saudade”, explorando mercados como o Brasil, onde já tivemos uma primeira tentativa de penetração na cidade de Santos, é também uma valência considerada.

4 – Apoio ao Investimento e Empreendedorismo – Última área, mas não menos importante, a SICOGEST funcionará como gabinete técnico de apoio à preparação e acompanhamento de projectos de investimento no território, prestando serviços na formalização de candidaturas a fundos nacionais e comunitários. Neste capítulo, o uso da rede de balcões do Crédito Agrícola no território, tendo como apoio técnico a empresa do seu grupo, a «CA Consult», será uma mais-valia para a empresa tendo, entre outros, a sua carteira de clientes como alvo a atingir.

 

 

 
in: Campeão das Províncias, 8Mai08

publicado por ansiaonews às 18:04

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