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IC3 poderá “destruir” casas e Mata Nacional de Vale de Canas

05.03.08, ansiaonews
Gonçalo Silva, Diário As Beiras

O IC3 inicia na variante de Tomar e termina na freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, de onde está prevista uma ligação directa ao Itinerário Principal Número Três (IP3). O lanço terá duas vias em cada sentido, com uma largura total de cerca de 24 metros. De Tomar a Coimbra, o troço terá 10 nós de ligação e irá cruzar os concelhos de Ferreira do Zêzere, Alvaiázere, Ansião, Figueiró dos Vinhos, Miranda do Corvo, Penela, Condeixa-a-Nova, além dos de Tomar e Coimbra.

Um das soluções previstas no estudo de impacte ambiental para a construção do IC3 poderá passar pela Mata de Vale de Canas. Autarcas das freguesias que vão receber as obras condenam essa opção.
O lanço do Itinerário Complementar Número Três (IC 3), que ligará Tomar a Coimbra, poderá atravessar a Mata Nacional de Vale de Canas. Esta é uma hipótese contemplada no estudo prévio de impacte ambiental, que se encontra em consulta pública até à próxima quinta-feira. No projecto, são definidas duas alternativas para a chegada da via a Coimbra, sendo que ambas as opções contemplam uma nova travessia do Rio Mondego a nascente da cidade. Antes de atravessar o rio, naquele que é o último troço de todo o lanço, a via terá obrigatoriamente de percorrer um (ou mais) túneis, que ligam o concelho de Miranda do Corvo ao de Coimbra - que, no total e em qualquer uma das duas soluções apresentadas, terão uma extensão a rondar os quatro quilómetros. Obras que serão edificadas em terrenos nas freguesias de Ceira, Torres do Mondego e Santo António dos Olivais.
Junto ao rio, a travessia do Mondego (através de ponte) surge em duas possibilidades. Aquela que o estudo designa como “Solução 2” atravessa “a meio” a Mata Nacional de Vale de Canas, destruindo parte desse património. Um projecto que, a ser levado a cabo, colocará ainda em risco duas habitações na aldeia de Vale de Canas. Nesta opção, também a Praia Fluvial de Palheiros e Zorro/Coimbra poderá ser afectada, já que a proximidade da ponte (que será construída na cota 200) com aquela infra-estrutura de lazer poderá afectar todo o meio envolvente.
Já a designada “Solução 1” atravessa o Mondego um pouco a nascente da actual ponte da Portela, a jusante das Carvalhosas. Esta é a alternativa apontada como mais favorável pelos técnicos que elaboraram o estudo, numa zona com uma maior extensão de terrenos de mato.
Nas duas hipóteses contempladas no projecto, estão ainda asseguradas ligações à circular externa da cidade de Coimbra, através de um nó, que ficará localizado entre a Portela do Mondego e Torres do Mondego, permitindo o acesso à cidade. Outro nó de ligação, segundo o projecto, irá ainda nascer na zona de Ceira. No Plano Rodoviário Nacional 2000, o IC3 toma a designação de Coimbra-Setúbal.

Características da via

O IC3 inicia na variante de Tomar e termina na freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, de onde está prevista uma ligação directa ao Itinerário Principal Número Três (IP3). O lanço terá duas vias em cada sentido, com uma largura total de cerca de 24 metros. De Tomar a Coimbra, o troço terá 10 nós de ligação e irá cruzar os concelhos de Ferreira do Zêzere, Alvaiázere, Ansião, Figueiró dos Vinhos, Miranda do Corvo, Penela, Condeixa-a-Nova, além dos de Tomar e Coimbra. O traçado contempla ainda a construção de três pontes e seis túneis. “Está previsto um túnel no troço inicial (construído a céu aberto, para minimizar interferências com habitações) e no troço final do lanço, entre as pontes sobre os rios Corvo, Ceira e Mondego. Foram ainda previstos quatro ou cinco túneis, escavados em galeria”, refere o estudo de impacte ambiental.
Segundo o projecto, a construção da via irá permitir “a interligação rápida e segura entre a variante de Tomar, o IC8 em Avelar, a A1/IC2/EN1 em Condeixa e a Circular Externa de Coimbra, que se encontram construídos e em exploração, dando igualmente continuidade para Norte na ligação ao IP3 e ao IC2, que se encontram também em fase de estudo prévio”.

Autarcas defendem “Solução 1”

A última fase de todo o projecto, designada “travessia do Mondego”, será alvo de obras de grande envergadura, já que exige a construção de túneis e de pontes sobre os rios Mondego, Ceira e Corvo, numa grande proximidade geográfica.
O DIÁRIO AS BEIRAS foi ao encontro dos responsáveis das freguesias que serão o “palco” destas obras, para tentar perceber o que pode mudar nos locais de passagem do IC3. Como o início das obras poderá afectar a rotina diária de centenas de pessoas e do próprio meio ambiente, resta saber quais as vantagens e desvantagens do troço, sobretudo, para quem terá de “viver na pele” a agitação e o rebuliço provocado por máquinas e camiões.
Em Ceira, a via será “conduzida” por túneis até à freguesia de Torres do Mondego. Para a sua freguesia, José Luís Vicente, presidente da Junta de Ceira, defende a “Solução 1” e vê com bons olhos a nova via, esperando “que ressalve os problemas da Estrada da Beira”. José Luís Vicente defende ainda outro nó de ligação para além do contemplado, este “mais próximo de Ceira”. Quanto aos trabalhos e obras a que a sua freguesia será sujeita, o autarca esclarece: “para nós querermos progresso, temos de ter alguns custos e esta poderá ser uma boa forma de acabar com alguns problemas da Estrada da Beira”, assegurou.
Numa sessão de esclarecimento, promovida pela Junta de Freguesia de Torres do Mondego, ficou bem patente algum do descontentamento pela passagem da via na freguesia. A designada “Freguesia Verde” terá de arcar com obras que poderão, segundo os responsáveis, colocar em causa muito do seu meio natural.
Desde os habitats dos animais, passando pelo leito do Mondego, à praia Fluvial e à Mata Nacional de Vale de Canas, são muitas as preocupações para um troço que trará para a freguesia um acesso na margem direita do rio. Ainda assim, António Cardoso, presidente da Junta de Freguesia de Torres do Mondego, deixou bem claro que a designada “Solução 1” é a mais aceitável. “Essa é a menos desfavorável. Já a outra é praticamente impensável”, começou por afirmar, acrescentando que “queremos preservar a Mata Nacional de Vale de Canas e o sossego das pessoas da freguesia. Até porque não queremos que os habitantes vivam atormentados pelo ruído que as obras e o próprio trânsito poderão causar”. Abordado foi também o problema da remoção de terras dos túneis e a construção dos estaleiros para os materiais das obras. Nesse ponto, os responsáveis admitem que a informação é reduzida, mas, obras com esta dimensão, poderão trazer grandes “dores de cabeça”.
Na recta final, as obras entrarão na freguesia de Santo António dos Olivais. Francisco Andrade, presidente da junta de freguesia, é peremptório: “defendemos a solução que não passa em Vale de Canas. Queremos preservar a mata e, a via ao passar aí, dará uma “machadada” final depois do fogo que a fustigou”, frisou. Quanto ao túnel que passará na sua freguesia, o autarca admite que a informação é escassa. “A zona do túnel faz-me alguma confusão. Não me posso pronunciar sobre os prejuízos, porque não tenho dados que me permitam ver cirurgicamente onde passa essa obra”, explicou.
Francisco Andrade salientou ainda a envergadura da construção: “é uma obra de engenharia muito complicada”, referiu, adiantando, todavia, que “irá libertar um bocado as circulares externas da cidade de Coimbra e promover um acesso mais rápido a Miranda, Lousã, entre outros”, concluiu.

in: Diário As Beiras, 5Mar08