Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ansião News

As notícias e comentários sobre o concelho de Ansião

Ansião News

As notícias e comentários sobre o concelho de Ansião

Cada vez mais doentes na consulta da dor

15.02.08, ansiaonews
Texto deSílvia Reis
 

Idalina Fernandes tinha dores “horríveis”. “Insuportáveis”, acrescenta a mulher de 69 anos, residente em Maceira-Liz, concelho de Leiria.
Abrir a torneira, tirar a rolha de uma garrafa ou pegar no talher eram tarefas que fazia com grande dor. Até dormir passou a ser uma dificuldade.
Diversos problemas de saúde - de que se destacam os que se relacionam com os ossos - tornavam o seu dia-a-dia infernal. E não eram apenas as dores crónicas nas mãos, nos pés ou na coluna. “Atacavam-me a cabeça”. A concentração deixou de ser uma das suas qualidades. A paciência também. “Eu entrava em pânico com as dores”, conta. O refúgio era o quarto.
Há cerca de cinco anos, um médico reencaminhou-a para a Unidade da Dor do Hospital de Santo André e, hoje, Idalina Fernandes confessa que o sofrimento já não é o que era. “Menos dores e mais suportáveis”, resume a doente. Se não fossem os medicamentos, não tem dúvidas de que “enlouquecia”.

Mais consultas todos os anos. Idalina Fernandes é um dos 331 utentes inscritos na Unidade da Dor daquele estabelecimento de saúde, criada em 1996. Doentes que, ano após ano, têm aumentado. Compare-se por exemplo com o primeiro ano de existência: 89 utentes. Também as consultas cresceram: de 291 em 1997 para 1.446 o ano passado.
Maria do Carmo Rocha, responsável pela Unidade da Dor, tem explicação para este aumento. A consulta, inicialmente uma vez por semana, passou a ser bissemanal. Por outro lado, deu-se o alargamento da unidade a doentes com dor crónica não maligna.
A médica acredita ainda que a maior divulgação da consulta e mesmo do tema da dor ao nível da comunicação social bem como o interesse demonstrado pelos profissionais de saúde contribuíram para o crescimento. Ao qual não é também de dissociar a própria divulgação da Unidade da Dor pelos próprios utentes e a existência de cursos de especialização nesta área, acrescenta a responsável.



Alguns dados da Unidade da Dor

> O utente mais novo a ser seguido na Unidade da Dor do Hospital de Santo André tem 19 anos e o seu diagnóstico é lombalgia. O mais velho tem 97 anos e sofre de uma doença maligna (mieloma múltiplo).

> A maioria dos doentes tem idade igual ou superior aos 60 anos. São também maioritariamente mulheres: 189.

> Os concelhos mais representativos são Leiria, Marinha Grande, Porto de Mós, Alcobaça, Ourém, Batalha, Nazaré e Pombal (por ordem decrescente). Mas a unidade trata igualmente doentes da Figueira da Foz, Ansião, Caldas da Rainha, Alcanena e Torres Novas.

> Segundo Maria do Carmo Rocha, na Unidade da Dor “as doenças mais frequentes são, neste momento, de predomínio não maligno (65%)”. A responsável lembra que a patologia degenerativa osteoarticular e neuropatias são as mais frequentes dentro do grupo não maligno.

> Prestam serviço na Unidade da Dor quatro médicos anestesiologistas e três enfermeiras. Mas a responsável não hesita em dizer que gostaria de ver melhorada a “performance da equipa, no sentido multidisciplinar”.

> “Uma autonomia de gestão que permitisse uma evolução da própria unidade e uma melhor interacção com os centros de saúde, para melhor encaminhamento [dos utentes]” são outros desejos de Maria do Carmo Rocha.

 

in:Região de Leiria, 15fev08