Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Uma (grande) diocese que sabe enfrentar as adversidades

Eduarda Macário
 

D.Albino Cleto

A Sexta-feira Santa é um dos lados da realidade que tem do outro lado a ressurreição de Páscoa. É uma verdade que todos sabemos, mas que deveríamos pôr na nossa vida. E eu peço a Deus que nos ajude a ser capaz de viver as sextas-feiras santas da nossa vida, sejam elas de doença, de problemas familiares, de desemprego com a esperança de que, dando a mão a Deus, pela fé e pela oração teremos sempre depois um Domingo de Páscoa. Teremos depois, sempre com Deus, alegria e realização feliz na vida. É o que eu peço para todos os diocesanos de Coimbra”.

Esta é a mensagem que D. Albino Cleto deixa às gentes da diocese de Coimbra e, muito em particular, aos leitores do DIÁRIO AS BEIRAS. Palavras e sentimentos de um beirão que soube apaixonar-se por Coimbra.

Em entrevista, que vai ser publicada amanhã no OLÁ GENTE, D. Albino Cleto respondeu a todas as questões sem receios, sem tabús e com muita segurança quanto à força dos seus paroquianos. E mostrou que os conhece “como às suas mãos”, no seu ambiente natural.
E não resistimos a publicar na íntegra a caracterização sociológica e religiosa que D. Albino Cleto faz da (sua) diocese. Sem dúvida, uma opinião validada por quem, tendo nascido em terras serranas, procurou conhecer os valores, os defeitos, as diferenças e as semelhanças das gentes que são a alma e o coração da diocese que Roma lhe entregou há sete anos.
“Os termos religiosos acompanham as variantes sociais. No que diz respeito ao aspecto social, a diocese é rica e variada. Rica de situações sociais, porque tem gente culturalmente bem, e refiro-me concretamente à capital do distrito e da diocese. Coimbra continua a ser uma cidade de pensamento, muito conhecida não só no país, mas no estrangeiro, sobretudo pela sua universidade e, agora, também, enquanto centro de medicina. Mas a diocese tem realidades muito diferentes entre si. Ela espalha-se pelo Norte de Coimbra onde encontramos a riqueza da Gândara. O gandarês é caracterizado como um homem e uma mulher pragmático e positivo. E de facto, não se encontra pobreza na Gândara, porque o gandarês não se importa de ir descalço arrancar batatas e a seguir ir para uma sessão da câmara. Enfrenta o mar se for preciso. Uma capacidade que permite ao homem e à mulher programarem a vida em conjunto e de forma positiva. Ele é capaz de ir para o estrangeiro e ela fica cá a tocar a vida com a mesma força. O beirão já não é assim. O homem é capaz de ir para a Angola, porque é preciso ganhar dinheiro, e a mulher fica cá a chorar e a esperar todos os dias o telefonema do marido.
Depois, temos as gentes do interior, tipicamente da Beira Serra. Gente muito emotiva, muito amiga, com amor à tradição, seja de concelhos de Góis, de Arganil, de Pampilhosa da Serra, de Oliveira do Hospital. E mesmo aí há uma diferença muito grande do planalto (Tábua e Oliveira do Hospital), onde também não se encontra pobreza, e do vale do Alva, onde vive o sentimental, o poeta, aquele que, se vai para Lisboa, vai trabalhar para qualquer coisa que o colega lhe arranjou, na padaria ou no restaurante.
Depois, temos a zona agrícola do Sul, de Penela, Ansião até Ferreira do Zêzere. E também aqui há uma grande diversidade. Uma região como a de Pombal, em profunda mutação, com problemas muito acentuados ao nível da família, do emprego, de recepção ou rejeição de emigrantes. Exactamente porque Pombal passou de uma pequenina vila para um grande centro urbano com todos os desequilíbrios. Mas temos ao lado Ansião e Alvaiázere, que ainda são zonas tradicionais, onde os problemas sociais não se fizeram sentir agudamente, ao contrário do que acontece em Castanheira de Pêra porque havia indústria”.

Não ir à missa...
não significa não ter fé


As características pessoais e sociais, como não podia deixar de ser, acabam por influenciar a postura dos homens e mulheres perante a igreja e a prática religiosa.
Quanto a isso... D. Albino não tem dúvidas. Mas não tem dúvidas, também, quanto à fé dos seus paroquianos e ao papel que a igreja deve assumir, apesar das dificuldades dos tempos modernos.
“Em Coimbra, cidade, é onde ele é mais difícil, por estranho que pareça, porque a relação tem que ser a de uma pastoral urbana, que não conta com a vizinhança, não conta com o grupo sociológico. A família residente considera-se, habitualmente, pessoa superior, intelectual e, se tem fé, vem à missa, mas não tem tempo para colaborar. Há no entanto, generosidade de colaboração. O gandarês, pelo pragmatismo que tem na vida, é cristão pela mesma razão que casou e é fiel, pela mesma razão que tem de educar os filhos. O que é, é. Religiosamente, a fé do homem do interior deita a raiz na tradição e no sentimento. Quanto ao homem do Sul, temos que fazer a tal diferença entre a zona mais litoral – Pombal e zona limítrofe da Figueira da Foz –, onde a tradição se mantém mas em perca. Isto é, as pessoas querem manter os costumes, seja a procissão do senhor dos Passos, seja a Visita Pascal, mas em desequilíbrio de fé, o que não se verifica nos concelhos do interior. Ansião e Alvaiázere são ainda hoje concelhos com maior fidelidade à missa dominical. Nas zonas tradicionais, a prática religiosa ainda vai até ao crisma. Depois, desaparece pelos comportamentos sociológicos que os caracterizam”.

 

in: As Beiras On Line, 20Mar08

publicado por ansiaonews às 17:16

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